O encontro com a Pri Bailarina

O som da água a cair das pequenas fontes fez o Gala parar.
Era como se o lugar respirasse. As colunas pareciam árvores douradas, e o ar tinha um cheiro leve, quase doce. Aproximou-se lentamente, observando as pessoas a passar, os risos, os passos apressados e o bater suave das folhas ao vento.

De repente, ouviu uma voz melodiosa a chamar:
— “Gala?”

Virou-se.
Do outro lado do jardim, uma mulher de cabelos escuros e olhar sereno movia-se como se dançasse. Cada passo parecia parte de uma coreografia invisível.
— “Sou eu, a Pri… a Pri Bailarina!” — disse, sorrindo.

O Gala ficou imóvel, fascinado.
— “Tu… tu não andas, tu flutuas!”
Ela riu-se:
— “Talvez. Gosto de pensar que o corpo também pode falar, mesmo quando o coração fica calado.”

O Gala sentiu de novo aquele aperto no peito — mas desta vez, não doía. Era como se uma luz suave se acendesse dentro dele.
— “É isso… é isso que o meu pai dizia que os humanos tinham. Essa poesia nos movimentos!”

A Pri olhou-o com ternura:
— “Então o teu pai tinha razão. Aqui na Terra, dançar é uma forma de pensar com o corpo. Quando as palavras não chegam, o corpo fala.”

O Gala sorriu, curioso e emocionado.
— “Podes ensinar-me?”
— “Claro, mas primeiro, tens de aprender a escutar o teu próprio ritmo.”

E assim, entre gestos e passos leves, o Gala começou a compreender que as emoções também têm movimento — e que o coração é o verdadeiro compasso da humanidade.