A Casa da Música e a Liberdade

O comboio travou suavemente, e o Gala abriu os olhos com o som do altifalante a ecoar:
Próxima paragem — Porto, Estação de São Bento.
Ao sair, ficou deslumbrado com o chão brilhante e as paredes cobertas de desenhos azuis e brancos.
Eram histórias! Histórias pintadas! Ficou parado, a tentar perceber como aquelas figuras conseguiam viver dentro das paredes sem se cansarem.
Talvez aqui os humanos também saibam guardar memórias na pedra, pensou com um sorriso.

Do lado de fora, o vento cheirava a mar e a café acabado de moer.
As ruas subiam e desciam como ondas, e o Gala sentia que cada esquina guardava uma surpresa.
Os elétricos passavam tilintando, e ele seguia o som como se fosse uma melodia.

Enquanto caminhava, reparou num edifício de linhas diferentes, cheio de luz e ângulos inesperados. Parecia uma pedra de cristal pousada no meio da cidade.
Lá dentro, ouviu um coro a ensaiar. As vozes subiam e desciam em harmonia, como ondas invisíveis que tocavam o ar.
O Gala ficou parado, encantado.
Isto… isto é como o espaço, mas feito de som! — murmurou, maravilhado.
Uma senhora ao lado dele sorriu:
Estás na Casa da Música, rapaz. Aqui, cada nota é liberdade.

A palavra ficou-lhe a ecoar — liberdade.
Foi então que, ao sair dali, reparou num brilho ao longe, no alto de uma escadaria.
Uma rapariga de cabelos revoltos e olhar determinado observava-o.
O casaco vermelho parecia incendiar o ar à sua volta, vibrando com a mesma energia das notas que ainda flutuavam no seu pensamento.